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A “Dhika” do Rui EP27: Campeões? Ai isso foi há meia hora…

Junho 12, 2024

Campeões? Ai isso foi há meia hora…

| Crónica Desportiva por Rui Alves

 

 

Neste mundo cada vez mais digital, a nossa capacidade de concentração e paciência estão a diminuir quase de dia para dia. Estudos dos anos 2000 apontavam para a capacidade de atenção humana ser de cerca de 12 segundos. Coincidência, ou provavelmente não, é mais ou menos um tempo de um story ou de um reel. A replicação mais recente dos mesmos estudos revelam ainda uma descida: hoje, conseguimos manter a nossa atenção por 8 segundos. Isso mesmo, menos do que aqueles peixes dourados dos aquários.

 

A tecnologia, que supostamente nos deveria facilitar a vida, está a arrastar-nos para um ciclo de distrações que, de alguma forma, vai moldando o nosso cérebro. Imagine-se sentado numa bela esplanada a tentar ler o seu livro. O telefone vibra, as notificações piscam e o visor brilhante vai agarrá-lo nuns largos minutos perdidos em feeds intermináveis. Era só uma pausa rápida do livro que entretanto fica fechado, esquecido. Verdade?

 

Esta nova realidade tem também um forte impacto no desporto. Um clube acaba de se sagrar campeão, tudo a festejar, a alegria estampada nos rostos, os cânticos, os abraços, tudo a que se tem direito, incluindo até alguns exageros típicos, mas surge o momento que alguém “fora” daquele grupo de trabalho, seja um adepto, seja um jornalista, 8 segundos depois, decide perguntar a pessoas com garrafas de espumante na mão: mas o treinador vai ficar para a próxima época? O jogador x ou y vão renovar? Vão conseguir mais títulos esta época?

 

Todos sabemos que a glória de ser campeão é efémera… mas 8 segundos? O campeão vai à velocidade de um cometa, os holofotes já apontam para o próximo desafio, o passado é memória, um campeão vai ser substituído por outro… mas 8 segundos?

 

Onde está o respeito pelo esforço, a dedicação, os sacrifícios, os treinos, os jogos, as viagens, as lesões, as recuperações, o trabalho de, pelo menos, uma época? De facto, há uma grande dicotomia entre vitória e esquecimento. Naturalmente que não é um exclusivo do desporto, todos nós fomos tendo pequenas vitórias na nossa vida, o estudante que termina um curso, um artista que dá um espetáculo, um empresário que recebe uma condecoração. Ainda que o efémero nos possa ensinar a valorizar cada momento, temos o direito, ou melhor, o dever, de usufruir e comemorar os nossos sucessos. Sem pressa. Sem pressão. Sem pensar na próxima batalha ou próxima conquista.

 

Quando virmos um campeão, aplaudamos não apenas pela vitória mas também pela coragem e determinação em persegui-la. Porque, no final, ser campeão é mais do que um título – é uma experiência que infelizmente é cada vez mais fugaz e efémera.

 

E assim, voltando ao começo, enquanto escrevo estas palavras, o meu próprio telemóvel vibrou. Uma tentação. Mas, por um breve instante resisto… olho para o cursor e decido acabar esta crónica. Eu não me quero distrair, mas a adrenalina às tantas já quer que eu acabe esta tarefa mais rapidamente só para poder voltar às notificações, ao scroll e aos likes.

 

 

 

 

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