EPISÓDIO 11

Manter ou mudar?
Julho 26, 2022

Manter ou mudar?

Passamos aquele momento da época, que vai ter uma segunda fase lá para setembro, em que muitos clubes convidam os jogadores para os chamados “Treinos de Captação”, “Treinos Abertos” ou se quisermos nomes mais pomposos – em inglês, claro – as “Open Week” ou “Draft”.

Aliciar jovens para mudar de clube, ou recrutamento, é algo que existe desde sempre. No entanto, antigamente, era realizado num quase secretismo dada a vergonha que os responsáveis de um clube sentiam caso fossem “apanhados a roubar” jogadores aos clubes vizinhos. De facto, eram tempos em que a palavra dada e a ética eram a norma, sendo fácil de identificar aqueles que procuravam aproveitar-se do trabalho dos outros.

De lá para cá foram-se diversificando as estratégias para o recrutamento. O pai de uma jogadora do clube “A” fala com o pai da jogadora do clube “B” e portanto dirigentes e treinadores do clube “A” já podem ficar de consciência tranquila porque não partiu deles o contacto. Outra frase de espanto muito comum é “…mas foi o jogador que veio cá oferecer-se para jogar no nosso clube… ai não foi com o vosso conhecimento?”

Neste particular, os treinadores também podem ter muita responsabilidade. Muitos jogadores e pais perguntam opinião aos técnicos acerca de ofertas de mudança para outro clube. Mesmo querendo apenas ajudar, muitos treinadores acabam por influenciar decisões das famílias tendo por base opiniões pouco fundamentadas ou, pior, interesses pessoais associados.

Mas há que dizer que o recrutamento, quando não tem por objetivo retirar jogadores às equipas adversárias para as enfraquecer, faz sentido e pode ser feito respeitando todos os envolvidos. Isso pode acontecer quando um clube consegue oferecer melhores condições de prática e tem um projeto de desenvolvimento desportivo centrado no jogador, projetando-o como um futuro jogador profissional, onde quer formá-lo dentro da sua filosofia. Naturalmente que se isso for para conseguir apurar para fase final de sub-16 então está tudo dito…

Mas então surge a pergunta: manter o meu filho neste clube ou mudar para outro clube que o está a convidar? O primeiro aspeto é que, quando falamos em escalões de formação, o mais importante são as crianças e jovens estarem nos locais onde são, ou podem ser, felizes. Isso obriga a perceber o que os torna mais felizes com a sua atividade desportiva: é estar com os amigos? É poder ir a pé para o treino? É desenvolver o seu potencial para chegar à NBA? Quando falamos em projeto individualizado de desenvolvimento desportivo significa que os pais devem perguntar aos clubes: o que esperam da minha filha esta época? O que perspetivam para daqui a 5 anos se ela se mantiver no clube? Que condições de treino ela vai ter para desenvolver o seu talento? A competição será ajustada ao nível dela? Que nível de formação e currículo tem o seu treinador? Quem é o responsável pelo seu projeto de desenvolvimento?

Os outros fatores todos, como os horários, os preços (ou até mesmo subsídios de transporte), as distâncias a percorrer, etc… tudo pode influenciar… mas fica a dica para que, acima de tudo, os jovens jogadores joguem onde possam ser mais felizes.